BOM DIA

O Brasileirão 2026 se encaminha para o último terço do campeonato. Nessa fase, parece cada vez mais claro qual será a disputa de cada clube para o restante da temporada: título, vaga em competições internacionais ou a tão temida luta contra o rebaixamento.

Em mais uma análise feita em parceria com o @datafut, um dos maiores nomes de scout do país, confira as probabilidades de cada um dos 20 times para a reta final do Campeonato Brasileiro.

BIG STORY

Um Brasileirão, quatro campeonatos

(Imagem: Cesar Greco | Palmeiras)

Faltam 14 rodadas para o fim do Brasileirão. Você pode olhar para a tabela e fazer suas apostas.

Ou podemos pedir uma ajudinha para a matemática.

A UFMG mantém um modelo que simula milhares de possíveis desfechos para a Série A e calcula com que frequência cada clube termina campeão, classificado para competições continentais ou rebaixado.

Em outras palavras, pense nisso como uma fotografia matemática do Brasileirão após 24 rodadas.

E a foto atual mostra quatro campeonatos bastante diferentes acontecendo dentro da mesma tabela.

O título virou uma corrida de três

Comecemos lá em cima.

Segundo as simulações, Palmeiras, Flamengo e Athletico-PR concentram 94,7% das chances de título brasileiro.

Ou seja, em praticamente 19 de cada 20 cenários simulados, a taça termina nas mãos de um desses três clubes.

O grande favorito é o Palmeiras, com 57,5%.

  • Isso significa que o Verdão aparece campeão em mais da metade das simulações — mas também que existem 42,5% de chances de o título terminar em outras mãos.

É aí que aparecem Flamengo (23,8%) e Athletico-PR (13,4%).

Depois deles, existe praticamente um abismo.

Cruzeiro tem 2,7% e Fluminense, 1,6%. Os outros 15 clubes da Série A, somados, ficam perto de 1%.

Já com relação a quantidade de pontos necessários para conquistar o caneco em dezembro, a projeção coloca o campeão na casa dos 68 a 69 pontos. Com 73 pontos, a probabilidade de título já ultrapassa 90%.

Vale lembrar que, nos últimos cinco anos, apenas o Palmeiras em 2023 foi campeão com 70 pontos. Todos os demais terminaram o cmpeonato com ao menos 79 pontos.

Libertadores: três encaminhados e um cara ou coroa

Se a disputa pelo título está concentrada, a corrida pelas primeiras posições tem uma divisão bastante clara.

Palmeiras (99,5%), Flamengo (94,9%) e Athletico-PR (89,9%) aparecem muito bem posicionados para garantir uma vaga direta na Libertadores.

A graça está na quarta posição.

Cruzeiro: 59,8%. Fluminense: 59,5%.

São apenas 0,3 ponto percentual de diferença.

Se você procurava uma disputa praticamente 50/50 para acompanhar nas próximas rodadas, encontrou.

Um pouco mais atrás aparecem Bahia (24,9%), Bragantino (24,6%) e Atlético-MG (18%), ainda esperando uma brecha para entrar nessa briga.

Pelas simulações, a última vaga direta na Libertadores deve exigir algo em torno de 57 a 58 pontos. Contudo, como você bem sabe, isso pode mudar dependendo de quem for o campeão da Libertadores, Sul-Americana e da Copa do Brasil.

Sul-Americana: bem-vindo à bagunça

Se no título existem três grandes favoritos, no meio da tabela acontece exatamente o contrário.

A Sul-Americana é a disputa mais imprevisível das quatro.

Coritiba (68,5%), Bahia (68%), Atlético-MG (67,1%), Bragantino (65,7%), Corinthians (62,9%) e Botafogo (54,2%) aparecem como os principais candidatos.

Do primeiro ao sexto dessa lista, a diferença é de apenas 14,3 pontos percentuais.

E aqui existe uma peculiaridade.

Classificar-se para a Sul-Americana pode significar coisas completamente diferentes dependendo do clube.

Para quem passou boa parte do campeonato olhando para o Z4, pode representar uma recuperação capaz de terminar em calendário internacional. Para quem começou o ano mirando a Libertadores, pode ter gosto de oportunidade perdida.

Para chegar à Sul-Americana, a régua projetada está na casa dos 48 pontos.

Por fim, a “zona da confusão”

Chegamos ao outro extremo da tabela.

E existe um clube em situação muito mais delicada que todos os outros.

A Chapecoense tem 98% de probabilidade de rebaixamento.

É o número mais extremo de toda a simulação.

Matematicamente, ainda existem 2% de cenários em que a Chape permanece na Série A. Na prática, a missão exigiria uma arrancada praticamente incompatível com tudo que a equipe apresentou até aqui.

Depois dela aparecem Vasco (65,6%) e Remo (58,9%), também com mais chances de cair do que permanecer fora do Z4.

A partir daí, começa aquilo que Vanderlei Luxemburgo eternizou como “zona da confusão”.

Internacional (41,6%), Mirassol (36,8%), Grêmio (32,8%) e Santos (30,5%) estão entre os clubes com risco superior a 30%, além do Vitória, que também aparece nesse grupo mais ameaçado.

A situação gaúcha chama especialmente a atenção.

Inter e Grêmio aparecem simultaneamente envolvidos na briga contra a queda, sendo que o Colorado possui a quarta maior probabilidade de rebaixamento do campeonato.

Para efeito de comparação, o São Paulo aparece consideravelmente mais distante do perigo, com 17,3%.

Ainda está longe de ser sentença para qualquer um deles.

Mas, neste momento, são oito clubes orbitando a parte mais perigosa da tabela.

E qual deve ser o número mágico para respirar aliviado?

Segundo o modelo, algo entre 40 e 41 pontos deve representar a linha de segurança contra o rebaixamento.

Quatro campeonatos dentro de um

Colocando tudo lado a lado, talvez esta seja a melhor maneira de entender o Brasileirão após 24 rodadas.

Para ser campeão: 68–69 pontos.

Para chegar diretamente à Libertadores: 57–58.

Para ir à Sul-Americana: ~48.

Para escapar do rebaixamento: 40–41.

Lá em cima, Palmeiras, Flamengo e Athletico-PR transformaram o título em uma corrida praticamente particular.

Logo abaixo, Cruzeiro e Fluminense protagonizam um verdadeiro cara ou coroa pela quarta vaga direta na Libertadores.

No meio, existe uma enorme mistura de clubes que ainda podem terminar o ano comemorando uma competição continental — ou lamentando aquilo que poderia ter sido.

E, lá embaixo, a Chapecoense aparece em situação crítica enquanto uma turma de clubes tradicionais tenta escapar da famosa zona da confusão.

É importante repetir: nada disso está definido.

São probabilidades, não profecias.

E essa talvez seja justamente a graça.

A matemática consegue mostrar quais caminhos parecem mais prováveis. O Brasileirão ainda tem 14 rodadas para bagunçar todos eles.

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