BOM DIA

Como torcedores, uma das coisas que mais nos deixa tensos é o momento em que o time pressiona a saída de bola adversária.

Em mais uma análise, hoje o @DataFutebol — um dos melhores scouts do Brasil — analisa duas métricas muito interessantes: Field Tilt e PPDA.

Pode parecer um pouco confuso no início, mas ao fim da leitura você provavelmente vai entender muita coisa sobre o seu time…

BIG STORY

Brasileirão 2026 através das estatísticas

Com dados de Field Tilt e PPDA, o retrato do Brasileirão é claro: os times que mais empurram o rival para trás tendem também a ser os que pressionam mais alto também, indicando que as nossas melhores equipes tentam ser equipes com mais posse no ataque e com uma pressão defensiva maior.

Mas que estatísticas são essas? Aqui, vou contar para você e mostrar aonde o seu time está nela.

Começando do começo…

O Field Tilt mede a fatia de passes no terço final que pertence a cada equipe. Se, numa partida, o Time A trocou 18 passes no último terço e o Time B trocou 12, o Field Tilt do Time A é de 60%.

Acima de 50%, o campo está “inclinado” a seu favor. Abaixo, você passa mais tempo se defendendo do que atacando.

Field Tilt: a disputa pelos passes no terço final.

Já o PPDA (Passes Permitidos por Ação Defensiva) responde a outra pergunta: quantos passes o adversário consegue trocar no campo dele antes de você desarmar, interceptar, cometer falta ou ganhar um duelo?

A conta considera os 60% do campo mais próximos do gol rival. Aqui, a lógica é inversa: quanto menor o número, mais intensa a pressão.

PPDA: quantos passes o rival troca antes de cada ação defensiva.

O Rio de Janeiro continua lindo!

O Vasco lidera o Field Tilt com 59,85%, seguido de perto pelo Flamengo (58,92%). Na prática, quase seis de cada dez passes no terço final dos jogos cruzmaltinos são do Vasco.

  • Corinthians (57,23%), Cruzeiro (56,12%) e São Paulo (54,92%) completam o top 5.

Como o Field Tilt é uma disputa de soma zero, a média da liga fica cravada em 50. Ainda assim, 12 dos 20 clubes estão acima dessa linha — sinal de que os times abaixo dela sofrem quedas bem mais acentuadas.

A distância entre o primeiro e o último é de 24,1 pontos percentuais: o Coritiba, com 35,74%, vê o adversário dominar quase dois terços das ações no último terço em seus jogos.

  • Vitória (39,16%) e Chapecoense (41,29%) também ficam muito abaixo da média.

Field Tilt médio por time.

Cruzeiro joga melhor na pressão?

O Cruzeiro permite apenas 8,58 passes por ação defensiva — é o único time da liga abaixo de 10, enquanto o segundo colocado, Corinthians, tem 10,02.

  • Parece pouco, mas, na escala do PPDA, é praticamente o mesmo espaço que separa o 2º do 11º colocado.

Logo atrás aparece um pelotão compacto: São Paulo (10,1), Bahia (10,23), Vasco (10,31) e Fluminense (10,49) estão separados por menos de “meio passe”.

No outro extremo, Coritiba (16,45), Chapecoense (15,55) e Remo (15,0) são os únicos acima de 15 — equipes que também estão no Top-5 negativo em Field Tilt.

PPDA médio por time (linha = média da liga)

Qual o perfil do seu time em território versus pressão?

Cruzamos as duas métricas para separar a liga em quatro grupos.

A regra geral é forte: cada ponto percentual a mais de Field Tilt corresponde, em média, a cerca de 0,23 passe a menos no PPDA.

Times que pressionam alto recuperam a bola mais perto do gol adversário — e, por consequência, passam mais tempo no terço final.

Field Tilt x PPDA — quanto mais acima e à direita, mais dominante.

Cruzeiro, Corinthians, São Paulo, Vasco, Fluminense, Internacional, Bahia, Bragantino e Flamengo formam o núcleo dos times proativos — acima da média nas duas métricas. O Palmeiras também entra no grupo, mas no limite da média de Field Tilt.

Coritiba, Chapecoense, Remo, Botafogo e Atlético Mineiro estão no quadrante abaixo, mas o trio Coxa-Chape-Remo se destaca negativamente.

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Inclusive, é interessante notar que o Coritiba, que está em um viés de queda recente, tem essa característica o campeonato inteiro, provavelmente um indicativo de que esse estilo de jogo não é sustentável a longo prazo.

Tudo isso é bonito no papel, mas e na prática?

O Flamengo é a maior discrepância da liga.

Apesar de estar no melhor quadrante, o Mengão tem dez posições de diferença no ranking de Field Tilt do de PPDA.

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É o perfil de um time que não precisa caçar a bola no campo adversário porque passa a maior parte do jogo com ela — a dominância vem da posse e da circulação, não da pressão.

O espelho chamado Vitória: também dez posições de diferença, só que no sentido contrário.

O time aperta a saída de bola rival com intensidade maior, mas não consegue transformar essas recuperações em presença no terço final. É uma pressão que defende, mas não ataca.

Diferença entre a posição no ranking de Field Tilt e no de PPDA.

O Brasileirão 2026 confirma uma regra que se repete nas principais ligas: quem pressiona mais alto passa mais tempo no campo do adversário. Cruzeiro, Corinthians e São Paulo são os exemplos disso, enquanto o Vasco lidera em território com uma pressão de nível top-5.

Porém, o pelotão do meio mostra que a principal diferença no campeonato está naquilo que a equipe faz com a bola recuperada.

Escrito por @Datafutebol

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