BOM DIA

Dos 10 brasileiros que poderiam avançar às quartas de final das competições continentais no meio dessa semana, oito conseguiram. A fase final da Libertadores e Sul-Americana contam com metade de times brasileiros na disputa — mais uma prova de como o nosso futebol dominou o futebol na América do Sul.

Em mais uma análise feita em parceria com o @datafut, um dos maiores nomes de scout do país, confira as principais curiosidades de todas as equipes brasileiras que entraram em campo nos últimos dias.

BIG STORY

O Brasil segue mandando na América

Mais uma semana de mata-mata da Conmebol chegou ao fim — e, para variar, o futebol brasileiro continua ocupando boa parte do continente.

Dos seis representantes do país em cada competição, quatro avançaram na Libertadores e outros quatro na Sul-Americana. Apenas Botafogo e Mirassol acabaram eliminados por adversários estrangeiros.

O resultado é um domínio difícil de ignorar: metade dos classificados às quartas de final das duas competições é brasileira.

Mas os números vão muito além da quantidade de clubes. Teve recorde histórico, tabu quebrado, goleada, classificação com um jogador a menos e até zagueiro entrando para a história da Libertadores.

Então, vamos aos principais números e curiosidades deixados pelos brasileiros nas oitavas.

Copa Libertadores

🟢 Palmeiras, o time que adora quebrar recordes

(Imagem: @Conmebol)

Pode até haver questionamentos sobre o futebol apresentado, mas a temporada do Palmeiras continua viva em todas as frentes.

O Verdão é o único clube brasileiro simultaneamente nas quartas da Libertadores e da Copa do Brasil e na liderança do Brasileirão.

E a classificação continental veio acompanhada de marcas históricas.

Com a vaga, o Palmeiras chegou pela 14ª vez às quartas da Libertadores, isolando-se como o brasileiro com mais participações nesta fase. O São Paulo aparece logo atrás, com 13.

Dentro de campo, o personagem foi Gustavo Gómez. Autor do gol da classificação, o zagueiro tornou-se o primeiro jogador da história da Libertadores a marcar em nove edições consecutivas.

E nem Abel Ferreira ficou de fora. O português chegou à 45ª vitória na competição, ultrapassando o lendário Carlos Bianchi (44).

Três marcas históricas em uma única classificação. Nada mal, né?

🔴⚫ Brazuca no caminho? Pouco importa pro Mengão

(Imagem: @Conmebol)

Se existe algo que o Flamengo aprendeu nos últimos anos é eliminar compatriotas em torneios continentais.

Com a classificação sobre o Cruzeiro, o Rubro-Negro avançou em 10 dos últimos 11 mata-matas contra clubes brasileiros em Libertadores ou Sul-Americana — desconsiderando finais.

Corinthians, Fluminense, Grêmio, Internacional, Cruzeiro… A lista de vítimas atravessa quase duas décadas.

E decidir no Maracanã torna a missão adversária ainda mais complicada: em jogos de volta da Libertadores como mandante, o Flamengo soma 11 vitórias, um empate e apenas uma derrota.

Arrascaeta também segue escrevendo sua história. O uruguaio chegou a 19 gols e 23 assistências na Libertadores.

Agora, falta apenas uma bola na rede para o craque uruguaio entrar ao lado de Riquelme no seleto grupo de jogadores com 20+ gols e 20+ assistências no torneio.

⚫⚪ Mais cara de Corinthians, impossível

(Imagem: @Conmebol)

O Corinthians precisou superar não apenas o Rosario Central, mas também duas expulsões ao longo do confronto.

Somando os dois jogos, o Timão atuou cerca de 54 minutos em inferioridade numérica, primeiro pela expulsão de Allan na ida e depois pela de Raniele na volta.

Mesmo assim, avançou.

O mais curioso: o próprio gol da classificação saiu quando a equipe estava com dez jogadores, marcado por Breno Bidon.

  • O jovem, aliás, vive seu melhor ano ofensivo. São quatro gols em 40 partidas nesta temporada, contra apenas dois em 96 jogos nas duas anteriores.

A classificação também manteve a força corintiana em casa: considerando as fases preliminares, o clube perdeu apenas duas das últimas 17 partidas como mandante em mata-matas de Libertadores.

🟢🔴 O renascimento tricolor

(Imagem: @Conmebol)

Jogar um mata-mata na Argentina nunca foi exatamente confortável para o Fluminense.

O Tricolor jamais venceu como visitante no país em confrontos eliminatórios da Conmebol: são quatro empates e três derrotas.

  • Só que há uma curiosidade nisso: mesmo sem vencer nenhuma dessas sete partidas, o Flu conseguiu avançar em quatro confrontos.

Individualmente, Hércules deu sua primeira assistência da temporada na jogada do gol de Kevin Serna, que marcou em partidas consecutivas pela primeira vez desde janeiro.

🔵⚪ O jejum da Raposa continua

Se o retrospecto recente do Flamengo em mata-matas continentais é positivo, o do Cruzeiro vai no sentido oposto.

A Raposa não vence uma partida eliminatória de Libertadores desde 2018, justamente quando bateu o Flamengo por 2 a 0.

Desde então, são sete jogos sem vitória: quatro empates e três derrotas, a maior sequência do tipo na história do clube.

Kaio Jorge também encerrou sua primeira Libertadores pelo Cruzeiro com uma marca frustrante. Um dos principais artilheiros do futebol brasileiro nas últimas temporadas, o atacante passou em branco nos sete jogos que disputou.

🟡🟢 Mirassol: caiu, mas deixou sua marca

A primeira aventura internacional do Mirassol chegou ao fim, mas passou longe de ser decepcionante.

Em sua estreia em competições da CONMEBOL, o clube disputou oito partidas, com quatro vitórias, dois empates e apenas duas derrotas.

A eliminação para a tradicional LDU veio apenas nos pênaltis.

E aí o adversário tinha experiência de sobra: os equatorianos venceram as últimas quatro disputas por penalidades que enfrentaram em competições sul-americanas.

Copa Sul-Americana

⚫⚪ O Galo adora decidir em casa

(Imagem: @Atletico)

O Atlético-MG transformou decidir mata-matas em casa quase em sinônimo de classificação.

A equipe avançou nas últimas nove vezes em que disputou o jogo de volta em seus domínios por Libertadores ou Sul-Americana.

O retrospecto histórico ajuda a explicar: são 19 vitórias, nove empates e apenas duas derrotas nesse cenário.

E há outro dado ainda mais impressionante. Sempre que venceu a ida fora de casa, o Atlético avançou: seis confrontos, seis classificações.

Desta vez, o herói foi Tomás Cuello. O argentino marcou aos 48 minutos do segundo tempo e chegou ao terceiro jogo consecutivo balançando as redes, melhor sequência de sua passagem pelo futebol brasileiro.

⚫⚪ Uma goleada para a história do Gigante da Colina

(Imagem: Matheus Lima )

O Vasco não apenas eliminou o Olimpia. Fez isso com uma das maiores atuações internacionais de sua história.

O 4 a 1 fora de casa igualou a maior vitória cruz-maltina como visitante em competições da Conmebol, desconsiderando fases preliminares. A outra havia sido contra o River Plate, na Mercosul de 2000.

  • A vaga também encerrou uma longa espera: o Vasco não disputava as quartas de um torneio continental desde 2012.

E há uma coincidência para deixar o torcedor animado.

Esta é apenas a terceira vez que o clube chega às quartas da Copa do Brasil e de uma competição continental no mesmo ano. As outras foram em 1998 e 2011.

Nas duas ocasiões, terminou a temporada levantando uma das taças.

Superstição ou não, fica o registro.

⚪⚫ Santos segue vivo em duas frentes

(Imagem: @Conmebol)

O 0 a 0 contra o Macará não foi exatamente uma partida para guardar na memória. Mas cumpriu sua função.

O Santos avançou e tornou-se um dos quatro brasileiros simultaneamente nas quartas da Copa do Brasil e de uma competição da CONMEBOL, ao lado de Atlético-MG, Vasco e Palmeiras.

O empate também trouxe uma raridade recente: foi apenas a quarta vez nos últimos 25 jogos continentais fora de casa que o Peixe não sofreu gols.

E há outro dado curioso. Nesta década, o Santos perdeu apenas uma partida de mata-mata como visitante em competições da CONMEBOL: são duas vitórias, cinco empates e uma derrota.

🔴 Bragantino: invicto nem sempre significa classificado

O Bragantino tem um daqueles retrospectos que parecem contraditórios.

O Massa Bruta não perde há 11 jogos de volta em competições da Conmebol : são cinco vitórias e seis empates.

Ótimo, certo?

Nem tanto.

Em cinco dessas 11 ocasiões, o clube terminou eliminado mesmo sem perder a segunda partida.

Individualmente, Lucas Barbosa segue como principal garçom da equipe na temporada. Com duas assistências no confronto, chegou a oito passes para gol no ano.

🔴⚪⚫ O tricolor mantém a tradição

(Imagem: @SaoPauloFC)

Pode mudar a competição, o elenco e o treinador. Uma coisa permanece: o São Paulo chega às quartas de final.

Esta é a sexta temporada consecutiva em que o Tricolor alcança essa fase de uma competição continental:

Libertadores: 2021, 2024 e 2025.

Sul-Americana: 2022, 2023 e 2026.

O problema tem sido o passo seguinte. Nas cinco campanhas anteriores, o São Paulo chegou à semifinal apenas uma vez, na Sul-Americana de 2022.

A classificação também trouxe um raro respiro em meio à má fase. Desde maio, são apenas duas vitórias em 15 partidas — curiosamente, ambas pela Sul-Americana.

Contra o Bolívar, o Tricolor ainda criou cinco grandes chances, sua melhor marca ofensiva do ano.

⚫⚪ Uma eliminação para esquecer do Botafogo

Se alguns brasileiros fizeram história de maneira positiva, o Botafogo entrou para os livros pelo motivo errado.

A derrota por 6 a 1 para o Cienciano foi a maior goleada sofrida por um clube brasileiro na história das competições organizadas pela Conmebol.

O resultado praticamente decidiu o confronto ainda na ida.

A eliminação também colocou o Botafogo em uma lista bastante curta: tornou-se apenas o terceiro brasileiro eliminado por uma equipe peruana decidindo o confronto em casa, depois de Internacional, contra o Melgar em 2022, e Grêmio, diante do Alianza Lima em 2025.

Pelo menos houve uma pequena notícia positiva: recém-chegado do Rangers, Danilo marcou seu primeiro gol pelo clube.

No fim das contas, as oitavas reforçaram um cenário que já deixou de ser novidade no futebol sul-americano.

Dos 16 clubes que seguem vivos entre Libertadores e Sul-Americana, oito são brasileiros.

Tem Palmeiras quebrando recordes, Flamengo ampliando sua fama de carrasco nacional, Corinthians sobrevivendo com dez, Vasco voltando a fazer barulho no continente e Atlético-MG transformando sua casa em fortaleza.

Nem todos sobreviveram — e Botafogo e Mirassol estão aí para lembrar disso.

Mas, olhando para o todo, a América do Sul continua falando português com bastante frequência quando chega a hora de decidir quem fica e quem vai embora.

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