
BOM DIA
Hoje trazemos um velho debate à tona novamente: é tão difícil nossos atacantes repetirem pela Seleção o desempenho que eles têm pelos clubes?
O foco dessa edição será a dupla Raphinha-João Pedro, com um início de temporada assustador (positivamente falando).
E se tem edição domingo, você já sabe. É com ele: @DataFut, um dos maiores nomes de scout do país.
Vamos analisar o desempenho desses jogadores e entender: eles são a nossa esperança para 2030?
BIG STORY
Raphinha e João Pedro: a esperança de um futuro melhor?

(Imagem: Andre Ricardo/Sports Press Photo/Getty Images)
Eu sei, pode parecer um pouco irônico. Um deles nem foi convocado para a Copa do Mundo. O outro até viajou, mas não foi bem: entrou em campo, sentiu a coxa e saiu do gramado antes mesmo de a fase de grupos terminar.
Nenhum dos dois teve o Mundial que sonhava — e para dois atacantes brasileiros que vinham de boas temporadas na Europa, isso doeu duas vezes: pela Seleção que não venceu e pelo reconhecimento que não veio.
Essa história, porém, ganhou um novo capítulo. Nesses primeiros jogos da temporada 2026/27, João Pedro e Raphinha estão mostrando — ou melhor, apenas relembrando — que precisam estar na Seleção Brasileira.
João Pedro

(Imagem: Getty Images)
Em maio, Carlo Ancelotti anunciou a lista de convocados do Brasil para a Copa do Mundo sem o atacante do Chelsea. O próprio técnico reconheceu o tamanho da ausência:
Pela temporada que fez na Europa, provavelmente merecia estar nesta lista.
Afinal, João Pedro havia marcado 23 gols e dado 6 assistências em 53 partidas.
Mas no futebol existe um certo tipo de “ditado” que todo mundo conhece: jogador de futebol não responde em entrevista, responde em campo.
E a resposta veio. Se analisarmos apenas as quatro primeiras partidas da Premier League 26/27, João Pedro já soma três gols e três assistências. Para se ter noção, isso corresponde a 360 minutos em campo, ou seja, um envolvimento direto em gol a cada 60 minutos.
Ele está empatado na segunda colocação entre os artilheiros do campeonato e divide a ponta como o jogador com mais assistências da competição.
O mapa de finalizações confirma a eficiência: 2,16 de xG contra 3 gols efetivamente marcados, 0,27 de conversão — um aproveitamento bem acima do que o modelo estatístico projetava para as mesmas chances.
Os números complementares reforçam o momento: 75% de conversão em grandes chances, 34 de 61 duelos vencidos e 7 de 10 dribles concluídos.
Resultado: o prêmio de Melhor Jogador do Mês da Premier League em agosto e o melhor início de carreira do atacante.

Mapa de finalizações de João Pedro na Premier League 2026/27 — 3 gols, 2,16 xG, 11 finalizações (via Opta Analyst)
Vale lembrar, porém, que João Pedro não estará na próxima Data Fifa porque se lesionou. O atacante, no entanto, deve ficar poucas semanas longe dos gramados.
Raphinha

(Imagem: Lluis Gene/AFP)
Raphinha ao menos vestiu a Amarelinha. Foi titular, fez o que pôde dentro de campo, mas acabou se lesionando logo na 2ª rodada da fase de grupos, contra o Haiti.
A CBF confirmou que se tratava de uma lesão muscular e Raphinha não entrou mais em campo na Copa do Mundo. Seu substituto foi Rayan.
Na semana passada, foi confirmado que ele não está entre os candidatos ao prêmio da Bola de Ouro 2026, apesar de ter fechado 2025/26 com 21 gols e 8 assistências em 40 jogos e terminado em 5º lugar na votação anterior.
Já na temporada atual, acredite se quiser: são 14 gols e 3 assistências em apenas 8 jogos.
Agora vamos comparar esses dois mapas e entender o que mudou: na temporada 2025/26, 68% dos minutos de Raphinha foram como ponta-esquerda, com o Barcelona alternando entre um 4-2-3-1 (50% dos minutos nessa função) e um 4-3-3 (18%).
Nesta temporada, porém, o posicionamento do brasileiro mudou por completo — 91% dos seus minutos agora são como centroavante, atuando como jogador central no esquema do clube espanhol.

2025/26: 68% dos minutos como ponta-esquerda (Opta Analyst)

2026/27: 91% dos minutos como centroavante (Opta Analyst)
Raphinha deixou de ser ponta para se tornar o homem de referência do Barcelona, e a mudança está funcionando: em 549 minutos em campo nesta temporada, ele já soma 11 gols contra um xG de 8,8, distribuídos em 24 finalizações — uma média de 0,36 de xG por chute e uma conversão de quase 50% das finalizações.
(O texto foi escrito antes do hat-trick do brasileiro contra o Sevilla, neste sábado)
Para efeito de comparação, o brasileiro superou apenas Lionel Messi em gols marcados após os 7 jogos iniciais de uma temporada nos últimos 60 anos (Messi fez 10 em 2012/13).

Mapa de finalizações de Raphinha na temporada 2026/27 — 11 gols, 8,8 xG, 24 finalizações (Opta Analyst)
E a Seleção Brasileira…
Há uma ironia difícil de ignorar nisso tudo. Enquanto a Seleção Brasileira ainda digere a ressaca de mais uma Copa sem título — o maior jejum de sua história —, dois de seus atacantes vivem o melhor futebol de suas carreiras em seus clubes.
O que acontecerá, só o tempo dirá. Mas uma coisa é fato: se João Pedro e Raphinha conseguirem, enfim, repetir o desempenho mostrado em seus clubes, a Seleção Brasileira sobe para outro nível de futebol e se torna uma das favoritas no próximo ciclo.
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