BOM DIA

Hoje a nossa newsletter conta com a presença de um dos maiores nomes do tênis brasileiro na atualidade.

Ele foi número 1 do ranking juvenil e campeão de duplas juvenil em Wimbledon.

Se tornou atleta profissional e, na atual temporada, chegou ao top-13 do mundo no ranking de duplas, com dois títulos de Masters 1000 consecutivos.

Nós estamos falando de Orlando Luz.

ENQUETE DO DIA

RESULTADO DA ENQUETE DE ONTEM

35% de vocês votaram em Não, já foi TOP-5 mas hoje está ultrapassado como resposta para a pergunta: “Renato Gaúcho é TOP-5 melhores técnicos do Brasil?”

→ (Não, já foi TOP-5 mas hoje está ultrapassado) “Eu não diria ultrapassado, mas os últimos trabalhos dele não foram tão bons pra justificar ele no top 5. ”

→ (Nunca, tirando o Grêmio nunca fez nada na carreira) “É um ótimo animador de auditório. A piada perde a graça rápido e a euforia se acaba.”

→ (Sim, mas porque o nível do futebol brasileiro é baixo) “O futebol no Brasil está uma vergonha”

→ (Óbvio, o cara é campeão da Liberta e da CDB) “Ele é O MELHOR brasileiro, sem dúvida nenhuma.” ; “Parece que se esqueceram do sucesso dele no FLU no mundial de clubes.”

POR ORLANDO LUZ

(Imagem: Arquivo Pessoal)

Orlandinho,

Quando eu penso em ti, a primeira imagem que vem na minha cabeça é no clube em Carazinho. Tu tem uns 8 anos e passa o dia jogando rei da quadra com teus amigos. Para ti, tudo aquilo é só diversão e ainda vai demorar um pouco para tu entender o tamanho que o tênis vai ter na nossa vida.

Nessa época, tu não entende muito bem por que algumas coisas são mais difíceis para ti. Só sabe que, às vezes, não dá para jogar um torneio porque não tem dinheiro e que teus pais sempre parecem estar dando um jeito para tu continuar.

Um dia tu vai ganhar um torneio em Chapecó e uma vaga para jogar o Masters em Florianópolis. Tu vai querer muito ir, mas em casa a resposta vai ser que não tem dinheiro. A organização vai ajudar com as despesas, o Pé Grande vai levar vocês de carro, tu vai ganhar aquele torneio também e, sem saber, vai ter gente da equipe do Larri Passos te vendo jogar. Aquela viagem vai acabar mudando o rumo da tua carreira.

(Imagem: Arquivo Pessoal)

Vai acontecer de novo quando tua corda estourar no meio de um jogo em Porto Alegre. Tu vai estar ganhando, mas, sem outra raquete e sem corda nova, vai ter que pegar uma emprestada e vai perder. Naquele dia tu só vai estar muito bravo. Hoje eu lembro mais do que vai acontecer depois: o tio Paulo, pai do Dudu Ribeiro, vai te dar novas raquetes.

Muita gente vai aparecer assim na nossa carreira. Por mais individual que o tênis pareça, um dia tu vai entender que nunca chegou a lugar nenhum sozinho, principalmente por causa dos teus pais.

Quando tu for para Balneário, com 11 anos, teu pai vai vender o carro para fazer a mudança acontecer e vai passar um tempo indo dar aula a pé. Tu vai saber disso, claro, mas saber e entender são coisas diferentes. Eu só fui entender muitos anos depois.

Teus pais vão fazer coisas assim muitas vezes, sem nunca colocar em ti a obrigação de fazer tudo aquilo valer a pena. Para eles, não vai ser sobre o dinheiro que tu poderia ganhar ou até onde poderia chegar. Na realidade, eles só vão querer que tu jogue enquanto o tênis te fizer feliz. Tenta lembrar disso nos momentos em que ele não fizer.

(Imagem: Arquivo Pessoal)

Aos 13 anos, uma fratura por estresse nas costas vai te tirar da quadra por quatro meses. Tu vai perder o contrato com a Nike e a oportunidade de jogar um Mundial no Caribe. Essa lesão vai doer, mas acho que o medo vai doer mais. Aquele contrato vai representar muito mais do que um patrocínio: vai ser a oportunidade de continuar jogando e, naquela época, cada coisa que tu conquistar pode mudar alguma coisa para a família inteira.

Quando voltar a jogar, quero que tu guarde uma imagem. Tu vai estar numa semifinal da Copa Gerdau e, no meio do terceiro set, vai olhar para fora da quadra. Teu pai vai estar sentado numa mesa com um cara todo vestido de Nike. Tu vai imaginar o que está acontecendo. O contrato vai voltar e, na semana seguinte, um caminhão de mudança vai parar na frente da tua casa cheio de caixas da Nike.

Os anos seguintes vão te dar uma confiança que hoje eu entendo melhor. Tu vai ganhar Wimbledon juvenil, ouro e prata nos Jogos Olímpicos da Juventude e chegar ao número 1 do mundo juvenil. Quando tudo isso acontecer tão cedo, tu vai achar que já sabe quais são as dificuldades de ser jogador profissional. Vai achar que o difícil está dentro da quadra: treinar mais, jogar melhor, ganhar de jogadores melhores. Até descobrir, aos 18 anos, que não é bem assim.

(Imagem: Arquivo Pessoal)

O ceratocone vai ser um dos maiores medos da nossa vida. Não só porque tu vai descobrir uma doença sem cura nos olhos, mas porque ninguém vai conseguir te garantir como aquilo vai afetar a coisa que tu fez a vida inteira. Tu vai ter medo de ficar cego e de nunca mais conseguir jogar tênis.

Depois da cirurgia, tu vai passar dias sem enxergar nada. A visão vai voltar, mas por bastante tempo tu ainda não vai conseguir confiar nos teus próprios olhos. Vai furar bola, dar taco, jogar cada vez mais atrás da linha para conseguir enxergar a bola chegando. E quase ninguém vai saber disso.

Em 2018, numa primeira rodada de um Future em Curitiba, tu vai entrar na quadra e não vai conseguir enxergar a bola. Acho que vai ser ali que a gente vai chegar mais perto de parar e uma das poucas vezes em que tu vai externar isso. Eu queria conseguir voltar naquele dia só para te pedir um pouco de paciência. Não para dizer que tudo vai se resolver rápido, porque não vai. Tu ainda vai precisar encontrar a lente certa e aprender a conviver com isso.

Aos 24, tu vai voltar a sentir que talvez tenha chegado ao fim, mas dessa vez sem um diagnóstico novo. Vai ser o pós-pandemia, as costas incomodando, os resultados que não vêm, os gastos maiores que os ganhos e aquela sensação de que teu tempo já passou.

Tu vai decidir focar nas duplas e eu queria que tu entendesse uma coisa sobre isso: mudar o caminho não quer dizer que tu fracassou.

(Imagem: Arquivo Pessoal)

Tu vai para as duplas acreditando que tem nível para estar entre os melhores do mundo. Dois anos depois, tu vai ganhar teu primeiro ATP em Båstad, com o Rafa. Seria bonito te contar que naquele momento vai passar um filme na cabeça e tu vai perceber que finalmente deu certo, mas não vai ser bem assim.

Tu vai ficar muito feliz e quase imediatamente vai pensar que um título só não adianta. E eu acho que isso também diz bastante sobre quem a gente é.

Hoje eu tenho 28 anos, sou número 13 do mundo, ganhei cinco títulos de ATP e, junto com o Rafa, acabei de ganhar dois Masters 1000 seguidos. Depois do primeiro, alguns dos caras que estão entre os melhores do mundo vieram nos parabenizar e eu senti o respeito deles pelo nosso trabalho. Depois do segundo, finalmente entendi que a gente não estava mais tentando chegar entre as melhores duplas do mundo. Nós já estávamos lá.

(Imagem: Arquivo Pessoal)

E, por maior que tudo isso seja, talvez a coisa que eu mais gostaria de contar para ti seja outra. Lembra do pai vendendo o carro e indo trabalhar a pé para tu conseguir ir para Balneário? Tu conseguiu comprar um apartamento para ele e para a mãe.

Eles começaram a vida juntos numa casa que era praticamente um cômodo. Durante muitos anos, cada conquista nossa significou uma possibilidade de mudar um pouco a vida da família. Hoje, talvez uma das coisas que mais me orgulhe seja saber que o tênis me permitiu dar para eles a vida confortável que eu sempre quis dar.

Não estou te escrevendo do fim da nossa carreira, pelo contrário. Ainda quero ganhar um Grand Slam, jogar os Jogos Olímpicos e descobrir até onde a gente consegue chegar. Só que eu também não consigo te prometer que tudo vai dar certo. Só queria te dizer para confiar um pouco mais nos momentos em que parecer que não está dando. Aos 13 tu vai achar que acabou. Aos 18 também. Aos 24, mais uma vez. E todas essas vezes tu vai descobrir que talvez não fosse o fim.

(Imagem: Arquivo Pessoal)

Então continua jogando, Orlandinho. Não porque eu sei como essa história termina, eu também ainda estou vivendo ela.

Mas hoje, 20 anos depois daquele menino que passava o dia inteiro jogando nas quadras de Carazinho, a gente ainda está jogando.

ASPAS DO DIA

Richarlison não vai jogar mesmo estando disponível. Nem na Copa da Liga.

TOUR DE MANCHETES

(Imagem: Reprodução/X)

Cada vez mais perto da B

Nesta segunda-feira, o Bahia venceu o Remo em jogo válido pelo Brasileirão por 2 a 1. Os gols dos mandantes foram marcados por Jean Lucas e Luciano Juba, enquanto Vitor Bueno descontou para o Remo. Agora pela manhã, o clube anunciou a demissão do técnico Léo Condé.

(Imagem: Reprodução/Internet)

Mudança de casa

A Libertadores deve sair da Paramount e voltar ao SporTV entre 2027 e 2030. A Globo encaminhou a compra do pacote, que prevê 76 jogos, e o anúncio deve ser feito em breve.

(Imagem: David Eulitt / Getty Images North America / AFP)

O rei de Kansas voltou!

Patrick Mahomes mostrou que está 100% recuperado da ruptura de ligamento sofrida no joelho na temporada passada e comandou os Chiefs na vitória contra o Denver Broncos por 31 a 10. Kenneth Walker, MVP do último Super Bowl, estreou com 173 jardas e 2 touchdowns.

(Imagem: Rodrigo Coca/Ag. Corinthians)

Quanto mais pressão, melhor!

O Corinthians aumentou a capacidade da Neo Química Arena para o jogo de volta contra o Estudiantes, válido pelas quartas da Libertadores. O aumento será de 1.537 cadeiras.

(Imagem: Reprodução/X)

Gostou das escolhas?

A Champions League anunciou os estádios que receberão as próximas finais do torneio. O Estádio Metropolitano (Atleti) já estava confirmado para a atual temporada. Em 2028, a final acontecerá na Allianz Arena (Bayern) e, em 2029, no Camp Nou, do Barcelona.

(Imagem: Nathan Denette/The Canadian Press)

Bem-vindo de volta

Após uma longa investigação da NBA, Kawhi Leonard não joga mais pelo Los Angeles Clippers. O atleta já foi anunciado pelo Toronto Raptors, onde foi campeão da NBA em 2019.

NO QUE ESTAMOS CLICANDO
AGENDA DO DIA

🎾A partir das 10h30 WTA250 de São Paulo | SporTV 3

16h00 Copa da Liga Inglesa: Liverpool x Tottenham | ESPN e Disney+

16h00 Copa da Liga Inglesa: Ipswich x Arsenal | ESPN 4 e Disney+

16h30 La Liga: Elche x Real Madrid | CazéTV

19h00 Libertadores (quartas): Platense x Fluminense | ESPN e Disney+

19h00 Sul-Americana (quartas): Vasco x Santa Fe | Paramount+

🏐20h00 Pré-Olímpico Masculino: Brasil x Chile | SporTV 2

21h30 Sul-Americana (quartas): São Paulo x Boca Juniors | SBT, YouTube e ESPN

OPINIÃO DO LEITOR

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