BOM DIA

Como de costume, às terças-feiras começam por aqui com um texto especial.

Diferente do modelo que trouxemos na semana passada (clique caso não tenha visto), a edição de hoje traz uma crônica do nosso Maurício Mendes, um dos redatores do nosso time e responsável por uma das maiores pérolas da Copa do Mundo de 2026 (descubra aqui).

E é claro que o tema não poderia ser nada mais polêmico…. Neymar.

ENQUETE DO DIA

RESULTADO DA ENQUETE DE ONTEM

47% de vocês votaram em Abel Ferreira para a pergunta: “Se você pudesse escolher um técnico para treinar o seu time, qual destes seria?”

→ (Abel Ferreira) “O trabalho do Abel Ferreira como treinador é absurdo! Ele mudou o patamar do jogo coletivo, enfileirando, não à toa, uma série de títulos dos quais ele foi o nome principal.”

→ (Filipe Luís) “Técnico novo, mas com bastante conhecimento e capacidade de liderar de forma imparcial e justa”

Neymar, aquele menino ainda vive aí dentro?

O ano era 2009. Eu era apenas uma criança. Apaixonado por futebol, mas ainda assim apenas uma criança.

Já você, com seus 17 anos de idade, estreava no futebol profissional. Dia 7 de março. No início do segundo tempo, a torcida começou a gritar o seu nome.

“Neymar! Neymar!” cantava o Pacaembu. O que ninguém ali sabia é que aquele Oeste 1x2 Santos entraria para a história do futebol.

(Imagem: Reprodução | Gazeta Esportiva)

Na semana seguinte, o primeiro gol. Era óbvio que a titularidade viria. E veio. Logo na primeira temporada como profissional, 48 jogos e 14 gols pelo clube do coração.

A minha geração aprendeu a te amar. Você nos encantava dentro das quatro linhas. Chuteiras coloridas. Sem medo de ir pra cima. E um moicano que pararia os colégios ao redor do Brasil.

Você jogava para rir. Era mais que uma profissão. Para você, era diversão. Os dribles desconcertantes. As provocações. Os golaços.

Em 2010, porém, veio a primeira polêmica. O jogo era Santos x Atlético-GO. Você teve um atrito com Dorival, mas o problema viria do técnico adversário.

“Estou desde garoto no futebol e poucas vezes vi alguém tão mal-educado desportivamente. Está na hora de alguém educar esse rapaz, ou vamos criar um monstro. Estamos criando um monstro no futebol brasileiro.”

Enfim, era apenas uma crítica, certo? Isso não iria te parar. Na verdade, parecia que nada conseguia te parar.

Afinal, você venceu o Paulistão três vezes seguidas. Venceu a Recopa Sul-Americana. Venceu a Copa do Brasil. Venceu o prêmio Puskas. E mais importante que tudo isso: venceu a Copa Libertadores.

(Imagem: Ricardo Saibun | Santos FC)

Você não era mais “aquele muleke da Vila”. Você já era realidade. Não à toa os gigantes vieram atrás do menino que brilhava no litoral paulista. Real Madrid. Chelsea. Barcelona. Você tinha apenas 21 anos e precisava tomar a decisão mais importante de sua vida.

Para a minha alegria — e de muitas outras pessoas —, você desembarcou na Catalunha. O nível era outro. Você sabia que jogaria ao lado de um tal Lionel Messi, que havia feito apenas 91 gols em 69 jogos no ano anterior. Risos.

Disseram que a Europa iria te “enquadrar”. Que o seu futebol arte daria lugar ao futebol tático, estudado. Mas você só queria fazer o que sempre amou: jogar bola. Não apenas de um jeito sério. Esse nunca foi o Neymar.

Medo? Isso você deixava para os outros. Você queria ser feliz. Brincar de futebol. Levar o asfalto da Baixada Santista para o gramado do Camp Nou. E foi exatamente o que você fez.

(Imagem: MIGUEL RUIZ | FC BARCELONA)

O problema é que, pouco a pouco, o menino que sorria foi virando um produto. Você precisava performar. Você custou milhões e milhões. De repente, seus dribles começaram a ser usados contra você. O julgamento moral fora de campo era enorme.

Você percebeu que o futebol não era mais um brinquedo. Eu percebi que o futebol não era mais um brinquedo. Aquilo deixou de ser uma diversão. Agora você tinha contratos milionários. Você era manchete de jornal. Tudo o que você fazia, repercutia no mundo inteiro.

Para piorar, as lesões começaram a aparecer. Ah, se eu pudesse voltar no tempo e te avisar o que aconteceria contra a Colômbia… Talvez esse roteiro tivesse outro final. Já pensou como seria conquistar o hexa dentro de casa? Eu sei que você também queria isso.

(Imagem: Nilton Fukuda | Estadão)

Por dois centímetros, você não perdeu os movimentos das pernas. Mas você era forte. 45 dias depois, já estava em campo novamente. Com dois gols e uma assistência, por sinal.

Menos de um ano depois você ouviria que “seu sonho está realizado, menino”. Vencer a Champions League com gol na final não era para qualquer um. Afinal, você nunca foi qualquer um.

23 anos e já era ídolo de uma nação. Não tinha como não te admirar. Minha geração, que agora já estava na adolescência, contava os minutos para te ver em campo novamente.

Era mais que futebol. Era como se fosse um encontro marcado. Você era referência. Você era um modelo para nós. Você era quem todo menino sonhava em ser. Ou pelo menos deveria ser assim.

(Imagem: Reprodução | AMA/Corbis/Getty Images)

Festas. Atritos com companheiros de equipe e treinadores. Provocações em campo. Vaias das arquibancadas. Declarações polêmicas. Lesões. Festas de novo.

Talvez a culpa não fosse sua. Pelo menos, não inteiramente sua. Você era apenas um menino e, de repente, tinha tudo e mais um pouco. Mas o mesmo aconteceu com outros, certo?

Lionel Messi te falou: “Você quer ser o melhor do mundo? Eu vou te fazer melhor do mundo”. Mas você estava decidido a ir ao PSG.

A magia virou peso. Você começou a se lesionar com mais frequência. Você fraturou o metatarso duas vezes. Você era vaiado pela torcida o tempo todo. O futebol não era mais um brinquedo. Era fisioterapia. Era cobrança. Era isolamento.

O corpo claramente estava cansado. Mas a alma já havia sumido há muito mais tempo. Aquela risada frouxa deu lugar ao olhar pesado. Você estava cansado de viver diante das câmeras 24 horas por dia.

(Imagem: Reprodução | Dave Winter/Icon Sport/Getty Images)

O sonho tinha virado caos. Você era visto como vilão dentro e fora de campo. Lembra das acusações que fizeram contra você? Como você responderia se não fosse jogando bola? Era a sua única opção.

No fim do dia, a gente ainda esperava ver aquele Neymar. O Neymar da magia. Da Baixada Santista. Do gol Puskas. Da Libertadores. Dos “minutos contados”. Da Champions League. Do ouro olímpico. O Neymar que amava jogar bola. 

Você ainda respondia dentro de campo. Afinal, quem mais conseguiria 189 participações em gols em 173 jogos? Você conseguiu isso na França. Mas não era a mesma coisa. O futebol estava ali. A alegria, não.

Durante a passagem pela Arábia, veio a pior lesão de sua carreira. Ainda por cima, vestindo a camisa da Amarelinha. 369 dias sem jogar.

(Imagem: Reprodução | Léo Dias)

Você tinha todos os motivos para desistir. No seu retorno após mais de um ano fora das quatro linhas, uma nova lesão. “É hora de parar?”, muitos se perguntaram. Você deve ter se perguntado. Esse era apenas um capítulo a ser esquecido.

Era hora de voltar para a casa. Hora de voltar para os braços daqueles que sempre te amaram. “Eu vou, mas eu volto”, você havia prometido.

Você tentou reencontrar o passado. Mas o tempo não anda para trás. Você lembrou, sim, que parte do povo ainda te ama. Mas também lembrou que parte do povo te odeia. Você não podia mudar as decisões que tomou. 

(Imagem: Reprodução/Instagram)

Você se arrastou em campo para salvar o clube do coração do rebaixamento. Você conseguiu. Mas os dias ruins também apareceram.

Atritos com companheiros de equipe. Torneios de pôquer. Discussões com torcedores. Provocações no Instagram. Você foi criticado de novo. E de novo. Os motivos eram muitos.

Dentro de campo tudo parecia diferente. Aquele futebol arte se transformou em negócio. Negócio sério. Tático. Frio. E você acabou sendo a última vítima da magia que você mesmo criou.

Hoje, quando te vejo em campo, ainda consigo enxergar o fantasma daquele garoto de 2009. Só que ele não sorri mais.

(Imagem: Marcello Zambrana | AGIF)

Você pode se aposentar no Santos ao fim do ano. Ou talvez ir para o Inter Miami e reencontrar seus amigos. Talvez até mesmo recomeçar em outro clube que ninguém espera.

O que você vai fazer, eu não sei. Eu só sei que o que restou é saudade. Não dos gols. Não dos títulos. Mas da época em que você nos lembrava que o futebol era, acima de tudo, uma grande e maravilhosa brincadeira.

Neymar, você foi. Mas poderia ser.

ASPAS DO DIA

Alguns caras precisam de um período sabático, algo que eu detesto. Detesto essa palavra. Para mim, um período sabático significa fraqueza. Não me falem de períodos sabáticos. Eu nunca preciso descansar. Vou descansar quando morrer.

TOUR DE MANCHETES

(Imagem: Rodrigo Coca | Agência Corinthians)

Novela sem fim

Mesmo com tudo acordado entre Corinthians e os representantes de Memphis Depay, o presidente do clube, Osmar Stabile, ainda não assinou a renovação de contrato do holandês. Com isso, é pouco provável que Memphis atue na quinta-feira pela Libertadores.

(Imagem: Getty Images)

Próximo dono do Liverpool?

Fundador da Amazon e 4º homem mais rico do mundo, Jeff Bezos se aproxima de comprar parte do Liverpool. O multibilionário integra um consórcio que deve aportar US$ 6 bilhões por 30% do clube inglês.

(Imagem: Luke Hales | Getty Images)

As polêmicas não param

Novas revelações envolvendo o nome de Kawhi Leonard ocorrem em meio à investigação da NBA sobre a ida do jogador dos Raptors para os Clippers em 2019. Informações dão conta de que o jogador e seu staff, antes de assinarem com os Clippers, tentaram fechar supostos acordos ilegais com o Lakers, propostas recusadas pela ex-presidente Jeanie Buss.

(Imagem: Javier Gandul)

O fico de Endrick Felipe

Depois de muitas especulações envolvendo o nome do brasileiro em possíveis transferências para Roma e Aston Villa, o Real Madrid decidiu manter Endrick no elenco principal. De acordo com o portal AS, Mourinho conta com o atacante, que vestirá a camisa 9 nesta temporada.

(Imagem: Leandro Lopes)

Novo presida do tricolor?

Após ter sido afastado da presidência da CBF em 2021 por denúncias de assédio moral e sexual feitas por funcionárias da confederação, Rogério Caboclo tem um novo alvo: o São Paulo. O dirigente anunciou que será candidato à presidência do tricolor na eleição do fim deste ano. Ele deve atuar como opositor à gestão de Harry Massis Júnior.

(Imagem: Nelson Almeirda | AFP)

Malas prontas para South Beach?

O jornal espanhol Marca voltou a levantar a possibilidade de Neymar atuar pelo Inter Miami já no início do ano que vem. Embora não existam negociações em andamento, o periódico afirma que essa é uma possibilidade real de acontecer.

(Imagem: Hannah Anderson | WSL)

Na crista da onda

Depois das eliminações de Filipe Toledo e Gabriel Medina, Ítalo Ferreira derrotou o sul-africano Luke Thompson para avançar às oitavas de Teahupoo. O triunfo, combinado com a eliminação precoce do italiano Leo Fioravanti, colocou o Ítalo de volta ao topo do ranking da WSL.

(Imagem: @weather_buffalo | Reprodução)

Parece que deu ruim

O Highmark Stadium, nova casa de US$ 2,1 bilhões do Buffalo Bills, está gerando polêmica entre os torcedores nas redes sociais. O motivo é que o estádio possui centenas de assentos com a visão do campo parcialmente obstruída por grades e colunas de sustentação.

NO QUE ESTAMOS CLICANDO
AGENDA DO DIA

19h00 Libertadores: Fluminense x Independiente Rivadavia | ESPN e Disney+
21h30 Sul-Americana: Bolívar x São Paulo | SBT, ESPN e Disney+

OPINIÃO DO LEITOR

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